segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O que esperar do carnaval?

 Estamos a menos de uma semana do carnaval e todos os brasileiros devem estar ansiosos com a chegada da maior festa do país.
 
Todos os brasileiro?
 
Bem, eu não estou tão animada assim... Para falar a verdade, acho que ando cansada de algumas coisas.
Cansada de ver sempre as mesmas pessoas, conversar os mesmos assuntos, rir das mesmas piadas.
Estou cansada de sair e encontrar sempre os mesmos caras sem papo e sem graça. 
Fico cansada de ver meus amigos enchendo a cara de bebida e destruindo a saúde com cigarros.
Cansada de ser sempre  lúcida,  sóbria e correta. 
Para falar a verdade, eu cansei de ser só no mundo e de ficar cada vez mais distante das demais pessoas.
 
Eu já até me achei louca!
Mas se eu for louca, pelo menos não estou tão sozinha quanto imaginei. Pelo menos o Álvaro de Campos compartilhou esse sentimento comigo...
 
 
  
Estou Cansado
 
   Estou cansado, é claro, 
   Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. 
   De que estou cansado, não sei: 
   De nada me serviria sabê-lo, 
   Pois o cansaço fica na mesma. 
   A ferida dói como dói 
   E não em função da causa que a produziu. 
   Sim, estou cansado, 
   E um pouco sorridente 
   De o cansaço ser só isto — 
   Uma vontade de sono no corpo, 
   Um desejo de não pensar na alma, 
   E por cima de tudo uma transparência lúcida 
   Do entendimento retrospectivo... 
   E a luxúria única de não ter já esperanças? 
   Sou inteligente; eis tudo. 
   Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto, 
   E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá, 
   Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
 
                        

P.S: O autor do poema, Álvaro de Campos, era heterônimo de Fernando Pessoa.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

amar... AMAR???

Hoje estou indo a um casamento, e essas celebrações sempre me abalam um pouco.
Deve ser tão difícil casar... Viver todos os dias com uma mesma pessoa, aceitando seus defeitos e qualidades, erros e acertos, passando ao lado dela altos e baixos...
É realmente um exercício de doação!

Falar de amor, sempre me lembra Camões:

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"


Eu também me pergunto, da mesma forma que o poeta português se questionou,  como podemos amar?
Se o amor nos prende a alguém, se o amor nos faz leais a quem nos machuca... como esse sentimento é tão desejado pelos nossos corações?
Não sei responder. Camões também não soube.
Mas eu acho que o Renato Russo (sim, ele!) conseguiu responder bem.


Monte Castelo

Composição: Renato Russo (recortes do Apóstolo Paulo e de Camões).


Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.

É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem.
Todos dormem. Todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.


A música do Legião Urbana conseguiu responder a pergunta de Camões através da carta que Paulo escreveu aos Coríntios.
O amor, apesar de contraditório, é querido porque é bom.
Só o amor pode revelar o que é verdade (e a verdade não está nos livros, na ciência ou nas aparências).
A verdade está naquilo sem o qual não se pode viver.



"Sem amor eu nada seria..."



Desejo muito amor na sua vida,
Na minha vida,
E para o mundo todo!