sexta-feira, 14 de outubro de 2011

só penso em te encontrar...

Eu Preciso Te Tirar Do Sério

Frejat

Hoje eu acordei, com vontade de te ver... de te ver...
Foi uma noite longa, mas logo estaremos em algum lugar....
Aonde ninguém possa nos encontrar....
Olho o céu azul, estamos prontos para cair na estrada...
Sempre na linha do horizonte, em direção ao sol...
Só penso em te encontrar,
Eu preciso te tirar do sério,
E desvendar os teus mistérios...
Hoje eu acordei com vontade de esquecer.... de esquecer
Todas as preocupações e ir depressa para algum lugar....
Aonde o tempo pareça não existir...
Olho o céu azul, estamos prontos pra viver um dia belo...
Sempre na linha do horizonte, em direção ao sol...
Só penso em te encontrar,
Eu preciso te tirar do sério,
E desvendar os teus mistérios...


E eu, é claro, tbm preciso encontrar um grande amor!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dia da Língua Portuguesa

 Celebra-se hoje o dia da língua portuguesa, não por acaso, hoje é também aniversário de morte de Luís Vaz de Camões. Sempre fui apaixonada por suas poesias ( e não tem como não se apaixonar por elas).
 O poeta português levou uma vida boémia e turbulenta. Diz-se que, por conta de um amor frustrado, se autoexilou em África, alistado como militar, onde perdeu um olho em batalha. Voltando a Portugal, feriu um homem e foi preso. Perdoado, partiu para o Oriente. Passando lá vários anos, enfrentou uma série de adversidades, foi preso várias vezes, combateu bravamente ao lado das forças portuguesas e escreveu a sua obra mais conhecida, a epopeia nacionalista Os Lusíadas.
 Este livro era seu passaporte de volta para Portugal. Na viagem, dizem que o livro e a amante de Camões caíram no mar e ele, sem tempo de salvar a ambos, optou por resgatar sua obra prima.
 De volta à pátria, publicou Os Lusíadas e recebeu uma pequena pensão do rei Dom Sebastião pelos serviços prestados à Coroa, mas a pensão era uma miséria e ele passou grandes dificuldades financeiras até a morte no dia 10 de Junho de 1580, em Lisboa, com aproximadamente 55 anos de idade.


"Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte."
Ninguém melhor que ele para escrever sobre a paixão, sobre o desconcerto 
do amor, sobre as incertezas desse sentimento tão querido e tão traiçoeiro 
também.
"Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora."

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dia nacional da poesia

Sim!!! Hoje é o dia nacional da poesia (e também meu primeiro dia de aula no ano).
Então, vou comemorar a poesia com poesia!

OS POEMAS
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
(Mario Quintana)


POESIA
Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
(Carlos Drummond de Andrade)



Um bom poema é aquele que nos dá a impressão
de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!
(Mario Quintana)


Por coincidência, hoje também é data do aniversário do poeta baiano Castro Alves.
Vou terminar então, com seus versos:


Depois da leitura de um poema

Às VEM o pastor subindo aos Alpes
Lança aos abismos a canção tremente.
Responde embaixo — o precipício enorme!
Responde em cima — o firmamento ingente!


Poeta! a voz do pegureiro errante
Em ti vibrando... se alteou!... cresceu!
Tua alma é funda — como é fundo o pego!
Teu gênio é alto — como é alto o céu!

 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O que esperar do carnaval?

 Estamos a menos de uma semana do carnaval e todos os brasileiros devem estar ansiosos com a chegada da maior festa do país.
 
Todos os brasileiro?
 
Bem, eu não estou tão animada assim... Para falar a verdade, acho que ando cansada de algumas coisas.
Cansada de ver sempre as mesmas pessoas, conversar os mesmos assuntos, rir das mesmas piadas.
Estou cansada de sair e encontrar sempre os mesmos caras sem papo e sem graça. 
Fico cansada de ver meus amigos enchendo a cara de bebida e destruindo a saúde com cigarros.
Cansada de ser sempre  lúcida,  sóbria e correta. 
Para falar a verdade, eu cansei de ser só no mundo e de ficar cada vez mais distante das demais pessoas.
 
Eu já até me achei louca!
Mas se eu for louca, pelo menos não estou tão sozinha quanto imaginei. Pelo menos o Álvaro de Campos compartilhou esse sentimento comigo...
 
 
  
Estou Cansado
 
   Estou cansado, é claro, 
   Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. 
   De que estou cansado, não sei: 
   De nada me serviria sabê-lo, 
   Pois o cansaço fica na mesma. 
   A ferida dói como dói 
   E não em função da causa que a produziu. 
   Sim, estou cansado, 
   E um pouco sorridente 
   De o cansaço ser só isto — 
   Uma vontade de sono no corpo, 
   Um desejo de não pensar na alma, 
   E por cima de tudo uma transparência lúcida 
   Do entendimento retrospectivo... 
   E a luxúria única de não ter já esperanças? 
   Sou inteligente; eis tudo. 
   Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto, 
   E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá, 
   Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
 
                        

P.S: O autor do poema, Álvaro de Campos, era heterônimo de Fernando Pessoa.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

amar... AMAR???

Hoje estou indo a um casamento, e essas celebrações sempre me abalam um pouco.
Deve ser tão difícil casar... Viver todos os dias com uma mesma pessoa, aceitando seus defeitos e qualidades, erros e acertos, passando ao lado dela altos e baixos...
É realmente um exercício de doação!

Falar de amor, sempre me lembra Camões:

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"


Eu também me pergunto, da mesma forma que o poeta português se questionou,  como podemos amar?
Se o amor nos prende a alguém, se o amor nos faz leais a quem nos machuca... como esse sentimento é tão desejado pelos nossos corações?
Não sei responder. Camões também não soube.
Mas eu acho que o Renato Russo (sim, ele!) conseguiu responder bem.


Monte Castelo

Composição: Renato Russo (recortes do Apóstolo Paulo e de Camões).


Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.

É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem.
Todos dormem. Todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.


A música do Legião Urbana conseguiu responder a pergunta de Camões através da carta que Paulo escreveu aos Coríntios.
O amor, apesar de contraditório, é querido porque é bom.
Só o amor pode revelar o que é verdade (e a verdade não está nos livros, na ciência ou nas aparências).
A verdade está naquilo sem o qual não se pode viver.



"Sem amor eu nada seria..."



Desejo muito amor na sua vida,
Na minha vida,
E para o mundo todo!



                          

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

É impossível ser feliz sozinho...

"Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isto em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm o ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu (...)"

(Desafinado - composição: Tom Jobim)

Hoje, dia 25 de janeiro de 2011, Tom Jobim faria 84 anos de idade se estivesse vivo. Em reconhecimento ao talento (mundialmente famoso) do compositor a Google fez uma homenagem em sua página inicial.   "














Tom foi um dos pais da Bossa Nova e fez grandes parcerias nas suas composições. O melhor parceiro foi o amigo e poeta Vinícius de Moraes, juntos, criaram verdadeiras obras-primas da música brasileira (entre elas: “Se Todos Fossem Iguais a Você, “Mulher Sempre Mulher”, “Um Nome de Mulher”, “Eu e Meu Amor”, “Lamento do Morro” e etc).

"Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida (...)"

(Eu sei que vou te amar - composição: Tom e Vinícius de Moraes)

Carioca e apaixonado pelo Rio, Tom Jobim não deixou de elogiar os deleites de sua terra e das mulhes. A música “Garota de Ipanema” ultrapassou as 3 milhões de execuções em emissoras de rádio e televisão, fazendo de Tom o segundo autor estrangeiro mais executado nos Estados Unidos.

"Um cantinho e um violão
Este amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar

Da janela vê-se o Corcovado
O Redentor que lindo

Quero a vida sempre assim com você perto de mim
Até o apagar da velha chama
E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade meu amor
O que é felicidade, o que é felicidade"
(Corcovado - composição: Tom Jobim)



                                              Wave - Tom Jobim e Toquinho
 
     
"Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho (...)"

(Wave - composição: Tom Jobim)


É... O amor é mesmo fundamental... 
É impossível ser feliz sozinho...
Obrigada Tom por deixar nossas vidas um pouquinho mais cheias de amor!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Não um louco, mas sim poeta.


A COISA
A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.
 Mario Quintana (Caderno H)

Hoje estava me lembrando dos tempos de colégio militar... Estudei 7 anos lá e ainda não me acostumei com o "mundo aqui fora". Já tive inúmeros choques com a ausência de regras na universidade e, por incrível que pareça, sinto falta de usar uniforme e cantar o hino nacional.
Entrei no site do CMJF e a frase da página inicial me chamou atenção: "Forjando os líderes do amanhã".
 
A frase é verdadeira. Quase todos os militares do país saíram de algum colégio militar. Mas de lá saíram também grandes médicos, juízes, políticos (o não tão grande prefeito de JF foi aluno do CMBH) e escritores. Sim! Temos escritores que estudaram em colégios militares e eu gosto particularmente de um ex-aluno do colégio militar de Porto Alegre: Mário Quintana.
 
Poeminho do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
(Mário Quintana - Prosa e Verso, 1978)
 
Quintana começou a estudar no CMPA em 1919 e lá escreveu seus primeiros textos para a revista Hyloea, órgão da Sociedade Cívica e Literária dos alunos do Colégio. Trabalhou como escritor e jornalista e muitas das suas obras têm um tempero especial de humor e sarcasmo (o poema acima mostra isso e foi escrito depois que seu autor perdeu a terceira indicação para a Academia Brasileira de Letras).
Faleceu em Porto Alegre, no dia 5 de maio de 1994, próximo de seus 87 anos. No seu estilo brincalhão, escreveu sobre a morte: "A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos".
 
SIMULTANEIDADE
- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.
Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo (Poesia Completa)

 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A hora da estrela

Já leu " A Hora da Estrela " ? Foi o último livro escrito por Clarice Lispector. Pequeno, rápido e delicioso de ler, o livro apresenta de uma forma simples reflexões extremamente profundas acerca da existência, da felicidade e da esperança. A obra é tão famosa que foi adaptada para o teatro, cinema, TV...

A primeira coisa que chama atenção é o narrador, Rodrigo S. M.,  que também é personagem. Enquanto ele narra a vida da personagem principal, sua própria imagem vai se revelando. Ele vai se contando e a escrita torna-se quase uma terapia.
“Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever.”

A história é de uma nordestina, Macabéa, que vai viver no Rio. Sem família, sem dinheiro, sem esperança de nada ela sonha apenas em ser estrela de cinema. Arruma um namoradinho,  Olímpico de Jesus (interpretado por Wagner Moura num seriado da Globo), que depois acaba ficando com sua única amiga, Glória (interpretada por Regina Casé). 
Macabéa chegava a irritar Olímpico (e chegava a me irritar também) de tão nada que ela era. Isso mesmo, ela era nada! Não sentia nada, não fazia nada de importante, não significava nada para ninguém. Ainda assim, ela não despertava antipatia. Não sei explicar o que exatamente eu senti enquanto lia, mas acho que foi algo perto de pena.

Macabéa vai procurar uma cartomante e ouve dela que seu futuro será maravilhoso. Pela primeira vez na vida ela tem esperança e, justamente, no instante em que sai de lá é atropelada.
"A Hora da Estrela" é a hora em que ela assume de fato o papel de personagem principal, não do livro, mas da sua vida. É na hora da estrela que ela sonhava ser...
Se alguém que leu isso ficou chateado por eu ter contado o final, por favor me perdoe. Não se preocupe, saber o enredo não vai estragar em nada o prazer de ler.


Dos contos de fadas...

                                   Ludwig van Beethoven


A música acima é de Beethoven e chama-se " Für Elise ". Muitas histórias rondam sobre quem seria "Elise" (alguma amada do grande gênio da música?) e sobre a verdadeira autoria da peça (já que ela só foi encontrada muitos anos após a morte de Beethoven). Tanto faz, não quero entrar nessas discussões, o que me fascina mesmo é a música.

Quando era pequena tive várias caixinhas de música (quase todas tocavam " Für Elise ").  E não foi só isso, cresci lendo contos de fadas e assistindo aos filmes da Disney (todos recheados de valsas de Tchaikovsky e Strauss).
E hoje, eu fico me perguntando, será que todas essas músicas e essas histórias românticas me fizeram bem?

Eu não quero ser feminista, mas todos os contos de fadas relatam a mesma história: a princesa tem uma vidinha sofrida e só alcança a felicidade ao lado do amado (como é o caso da Cinderela). Pior ainda é a vida da Bela Adormecida, ela só dorme, enquanto isso seu príncipe vive altas aventuras.
Bela lição para as garotinhas! "Fique em casa lavando, passando ou até dormindo enquanto os rapazes aproveitam a vida lá fora..."
"O mundo tem muitos perigos, a princezinha precisa ficar na segurança do seu castelo e deixar que seu príncipe venha libertá-la..."

E o pior nem é essa visão machista do mundo, o pior mesmo é o romantismo dos contos. Acho que fiquei traumatizada para sempre!
Eu fiquei esperando meu príncipe encantado surgir em cima de um cavalo branco e me salvar nos momentos difíceis... Ele não apareceu! Estou esperando até hoje... Quem sabe ele não aparece ainda?

E se você conhecer algum príncipe encantado que esteja procurando sua princezinha, pode pedir para ele me resgatar na torre mais alta do castelo mais alto do reino. Mas avise a ele por favor para trazer junto uma empregada; já que eu não sei passar, nem cozinhar (e ainda não aprendi a dançar valsa).

Só para terminar vou deixar aqui um conto de fadas escrito por Luís Fernando Veríssimo:
 
"Era uma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
- Eu, hein?... nem morta!"

P.S: Apesar de todo o meu trauma, não tenho nada contra o casamento.

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

            Carlos Drummond de Andrade

Ainda não sei o que me faz escrever e provavelmente jamais saberei. Talvez seja o desafio de algo novo, talvez seja o desejo de evadir, talvez seja a vontade de tentar expressar (ainda que pouco) minha forma de olhar para a realidade.
Como disse meu querido Drummond, o mundo é taõ grande! E eu estou tão presa à realidade...
O que fazer então?
O mesmo que ele fez, escrever.

(e vamos ver no que dá)