quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

            Carlos Drummond de Andrade

Ainda não sei o que me faz escrever e provavelmente jamais saberei. Talvez seja o desafio de algo novo, talvez seja o desejo de evadir, talvez seja a vontade de tentar expressar (ainda que pouco) minha forma de olhar para a realidade.
Como disse meu querido Drummond, o mundo é taõ grande! E eu estou tão presa à realidade...
O que fazer então?
O mesmo que ele fez, escrever.

(e vamos ver no que dá)

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