terça-feira, 25 de janeiro de 2011

É impossível ser feliz sozinho...

"Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isto em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm o ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu (...)"

(Desafinado - composição: Tom Jobim)

Hoje, dia 25 de janeiro de 2011, Tom Jobim faria 84 anos de idade se estivesse vivo. Em reconhecimento ao talento (mundialmente famoso) do compositor a Google fez uma homenagem em sua página inicial.   "














Tom foi um dos pais da Bossa Nova e fez grandes parcerias nas suas composições. O melhor parceiro foi o amigo e poeta Vinícius de Moraes, juntos, criaram verdadeiras obras-primas da música brasileira (entre elas: “Se Todos Fossem Iguais a Você, “Mulher Sempre Mulher”, “Um Nome de Mulher”, “Eu e Meu Amor”, “Lamento do Morro” e etc).

"Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida (...)"

(Eu sei que vou te amar - composição: Tom e Vinícius de Moraes)

Carioca e apaixonado pelo Rio, Tom Jobim não deixou de elogiar os deleites de sua terra e das mulhes. A música “Garota de Ipanema” ultrapassou as 3 milhões de execuções em emissoras de rádio e televisão, fazendo de Tom o segundo autor estrangeiro mais executado nos Estados Unidos.

"Um cantinho e um violão
Este amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar

Da janela vê-se o Corcovado
O Redentor que lindo

Quero a vida sempre assim com você perto de mim
Até o apagar da velha chama
E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade meu amor
O que é felicidade, o que é felicidade"
(Corcovado - composição: Tom Jobim)



                                              Wave - Tom Jobim e Toquinho
 
     
"Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho (...)"

(Wave - composição: Tom Jobim)


É... O amor é mesmo fundamental... 
É impossível ser feliz sozinho...
Obrigada Tom por deixar nossas vidas um pouquinho mais cheias de amor!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Não um louco, mas sim poeta.


A COISA
A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.
 Mario Quintana (Caderno H)

Hoje estava me lembrando dos tempos de colégio militar... Estudei 7 anos lá e ainda não me acostumei com o "mundo aqui fora". Já tive inúmeros choques com a ausência de regras na universidade e, por incrível que pareça, sinto falta de usar uniforme e cantar o hino nacional.
Entrei no site do CMJF e a frase da página inicial me chamou atenção: "Forjando os líderes do amanhã".
 
A frase é verdadeira. Quase todos os militares do país saíram de algum colégio militar. Mas de lá saíram também grandes médicos, juízes, políticos (o não tão grande prefeito de JF foi aluno do CMBH) e escritores. Sim! Temos escritores que estudaram em colégios militares e eu gosto particularmente de um ex-aluno do colégio militar de Porto Alegre: Mário Quintana.
 
Poeminho do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
(Mário Quintana - Prosa e Verso, 1978)
 
Quintana começou a estudar no CMPA em 1919 e lá escreveu seus primeiros textos para a revista Hyloea, órgão da Sociedade Cívica e Literária dos alunos do Colégio. Trabalhou como escritor e jornalista e muitas das suas obras têm um tempero especial de humor e sarcasmo (o poema acima mostra isso e foi escrito depois que seu autor perdeu a terceira indicação para a Academia Brasileira de Letras).
Faleceu em Porto Alegre, no dia 5 de maio de 1994, próximo de seus 87 anos. No seu estilo brincalhão, escreveu sobre a morte: "A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos".
 
SIMULTANEIDADE
- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.
Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo (Poesia Completa)

 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A hora da estrela

Já leu " A Hora da Estrela " ? Foi o último livro escrito por Clarice Lispector. Pequeno, rápido e delicioso de ler, o livro apresenta de uma forma simples reflexões extremamente profundas acerca da existência, da felicidade e da esperança. A obra é tão famosa que foi adaptada para o teatro, cinema, TV...

A primeira coisa que chama atenção é o narrador, Rodrigo S. M.,  que também é personagem. Enquanto ele narra a vida da personagem principal, sua própria imagem vai se revelando. Ele vai se contando e a escrita torna-se quase uma terapia.
“Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever.”

A história é de uma nordestina, Macabéa, que vai viver no Rio. Sem família, sem dinheiro, sem esperança de nada ela sonha apenas em ser estrela de cinema. Arruma um namoradinho,  Olímpico de Jesus (interpretado por Wagner Moura num seriado da Globo), que depois acaba ficando com sua única amiga, Glória (interpretada por Regina Casé). 
Macabéa chegava a irritar Olímpico (e chegava a me irritar também) de tão nada que ela era. Isso mesmo, ela era nada! Não sentia nada, não fazia nada de importante, não significava nada para ninguém. Ainda assim, ela não despertava antipatia. Não sei explicar o que exatamente eu senti enquanto lia, mas acho que foi algo perto de pena.

Macabéa vai procurar uma cartomante e ouve dela que seu futuro será maravilhoso. Pela primeira vez na vida ela tem esperança e, justamente, no instante em que sai de lá é atropelada.
"A Hora da Estrela" é a hora em que ela assume de fato o papel de personagem principal, não do livro, mas da sua vida. É na hora da estrela que ela sonhava ser...
Se alguém que leu isso ficou chateado por eu ter contado o final, por favor me perdoe. Não se preocupe, saber o enredo não vai estragar em nada o prazer de ler.


Dos contos de fadas...

                                   Ludwig van Beethoven


A música acima é de Beethoven e chama-se " Für Elise ". Muitas histórias rondam sobre quem seria "Elise" (alguma amada do grande gênio da música?) e sobre a verdadeira autoria da peça (já que ela só foi encontrada muitos anos após a morte de Beethoven). Tanto faz, não quero entrar nessas discussões, o que me fascina mesmo é a música.

Quando era pequena tive várias caixinhas de música (quase todas tocavam " Für Elise ").  E não foi só isso, cresci lendo contos de fadas e assistindo aos filmes da Disney (todos recheados de valsas de Tchaikovsky e Strauss).
E hoje, eu fico me perguntando, será que todas essas músicas e essas histórias românticas me fizeram bem?

Eu não quero ser feminista, mas todos os contos de fadas relatam a mesma história: a princesa tem uma vidinha sofrida e só alcança a felicidade ao lado do amado (como é o caso da Cinderela). Pior ainda é a vida da Bela Adormecida, ela só dorme, enquanto isso seu príncipe vive altas aventuras.
Bela lição para as garotinhas! "Fique em casa lavando, passando ou até dormindo enquanto os rapazes aproveitam a vida lá fora..."
"O mundo tem muitos perigos, a princezinha precisa ficar na segurança do seu castelo e deixar que seu príncipe venha libertá-la..."

E o pior nem é essa visão machista do mundo, o pior mesmo é o romantismo dos contos. Acho que fiquei traumatizada para sempre!
Eu fiquei esperando meu príncipe encantado surgir em cima de um cavalo branco e me salvar nos momentos difíceis... Ele não apareceu! Estou esperando até hoje... Quem sabe ele não aparece ainda?

E se você conhecer algum príncipe encantado que esteja procurando sua princezinha, pode pedir para ele me resgatar na torre mais alta do castelo mais alto do reino. Mas avise a ele por favor para trazer junto uma empregada; já que eu não sei passar, nem cozinhar (e ainda não aprendi a dançar valsa).

Só para terminar vou deixar aqui um conto de fadas escrito por Luís Fernando Veríssimo:
 
"Era uma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
- Eu, hein?... nem morta!"

P.S: Apesar de todo o meu trauma, não tenho nada contra o casamento.

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

            Carlos Drummond de Andrade

Ainda não sei o que me faz escrever e provavelmente jamais saberei. Talvez seja o desafio de algo novo, talvez seja o desejo de evadir, talvez seja a vontade de tentar expressar (ainda que pouco) minha forma de olhar para a realidade.
Como disse meu querido Drummond, o mundo é taõ grande! E eu estou tão presa à realidade...
O que fazer então?
O mesmo que ele fez, escrever.

(e vamos ver no que dá)